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quarta-feira, 4 de abril de 2018


LUCUBRAÇÕES MACABRAS
“O causo de Joana três beiços e o castigo de Ògún”
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A chegada de Filó foi um alvoroço na rua, os meninos notaram a beleza de Filó e logo todos começaram a pular o muro de Sinhá Joana pra pegar bolas de futebol que teimava em cair no quintal e Sinhá Joana logo se ligou no movimento observando Filó atentamente, mas Filó parecia alheia ao movimento e Sinhá Joana ficou satisfeita com a conduta de Filó. Logo Filó se integrou a rotina da casa ajudando Sinhá Joana com a venda, Filó sabia quebrar feijão, fazer o vatapá e preparar o molho nagô do jeito que Sinhá Joana gostava e assim a vida seguiu normal, mas as vezes Filó ficava meia “banzo” e Sinhá Joana se desdobrava em mimos e carinhos com sua fiel camarada mas,  nem sempre dava certo, até que um dia aconteceu o inevitável. Um certo pai de santo, “Franquilino boa vida” que frequentava a casa de Sinhá Joana começou a vir mais vezes sem muitos propósitos e Filó quando o via ficava indócil, errava o ponto da cocada, desandava o vatapá, e Sinhá Joana atenta notou e viu que era chegada a hora de tomar outras providencias e assim sendo pegou Filó e foi ao terreiro de Pai Bimbinha Torta, seu velho camarada de confiança e pediu a ele pra botar uma mesa pra ver a vida de Filó. Pai Bimbinha honrado com a presença de Sinhá Joana desdobrou-se em salamaleques e incontinente mandou sua mulher servir um café com sequilhos e foi preparar as coisas pra olhar pra Filó. Voltou e esperou Sinhá terminar o café e lá se foram pra outra sala onde Pai Bimbinha atendia.
Pai Bimbinha mandou Filó sentar-se a sua frente e Sinhá Joana ao lado. O silencio sepulcral foi quebrado pela pergunta de pai Bimbinha:
- Minha filha me diga seu nome todo.
- Filomena Dobradiça da Porta Baixa.
- Fique quieta ai e não cruze as mãos nem os pés.
Ouviu-se uma oração baixa de pai Bimbinha invocando os Orixas, o barulho dos búzios sendo sacudidos em suas mãos e ai caindo no tabuleiro. Pai Bimbinha olhou a configuração e gritou, “Ogunhe meu pai” olhou Filó que estava socada na cadeira nervosa com os olhos esbugalhados olhando pai Bimbinha, que olhou pra ela diretamente nos olhos e falou com a voz grave:
- Minha filha vósmece é filha de Ògún e tem que faze santo, Ogum ta lhe chamando. Por isso vósmece esta sentindo esse calor, esse nervoso e essa dor de cabeça. Olhe Sinhá Joana, essa menina tem que ser recolhida de pronto. Nisso a cabeça de Filó rodou e ela munhecou na cadeira, Sinhá Joana ao lado pegou ela correndo e tentou deixar ela sentada, mas debalde seus esforços ela escorregou e foi ao chão, confirmando as palavras de Pai Bimbinha. Ògún chegou.
Continua na próxima postagen
Baba Gilberto de Esu

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